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segunda-feira, 12 de março de 2012

Quem tem medo de Bicho-de-pé?

Sei que poderia ter escolhido um tema melhor pra minha estreia como escritora no blog, mas devido ao histórico de postagens sobre doença visando a saúde por aqui, e pela minha experiência atual, resolvi me entregar ao assunto.

Quem nunca teve Bicho-de-pé que atire a primeira pedra. É muito comum quando se é uma criança feliz e descalça brincando no montinho de areia abandonado, cavucando a areia suja da praia, dividindo terreno com porcos, enfim, fazendo criancices.

Mas vamos lá, o que é isso na real? Essa bolinha preta que aparece pelo pé, normalmente entre os dedos ou debaixo da unha (mas que na verdade pode surgir em qualquer lugar que tiver contato, inclusive na mão (!)), que coça desgraçadamente e que vai ficando cada vez maior com o tempo na verdade é a fêmea fecundada de um inseto da família das pulgas (Tungidae), o Tunga penetrans que precisa do seu sangue pra sobreviver com as crias.

Se você ainda não sabe do que eu to falando, pode conhecer pelo nome de batata baroa (?), bicho, bichô, bicho-de-cachorro, bicho-de-porco, bicho boco, bicho-do-pé, bicho-do-porco, bitacaia, chique, chitacaia, dengoso, espinho-de-bananeira, esporão, jatecuba, matacanha ou bitacaia (Angola e Moçambique), djigan (Guiné-Bissau), moranga, nígua (Portugal), olho-branco, olho-de-pinto, pique, piolho-de-faraó, pitxoca/pitxoka, pulga-da-areia, pulga-de-bicho, pulga-do-porco, pulga-penetrante, sico, taçura, taçuru, tatarné, tuçuru, tunga, tunguaçu, vitacaia, xiquexique, xíquia, zunga, zunge ou zunja.

Tá bom, sei que ninguém leu o último parágrafo até o final, nem eu li na real, mas vai que você conhece por outro nome. Acontece.

Fato é que esse é só mais um sofrimento que as crianças tem que passar em prol da diversão. Lembro de ter pegado bicho-de-pé quando era criança, devia ter uns 5 ou 6 anos, e foi bem entre o dedão e o dedo ao lado, naquela curvinha. Como criança vive se coçando mesmo, o bichinho demorou a ser notado. E cresceu. Muito. Passei por umas horas (tá, não lembro quanto tempo) sob tortura da agulha da minha mãe, agarrando o travesseiro pra aguentar a dor de ter o dedo futucado por um objeto pontiagudo.

É uma experiência que você não precisa ter mais de uma vez na vida, mas eis que 20 anos depois eu noto aquela bolinha preta que coça familiarmente, no calcanhar. Local com pele mais grossa onde não era de se esperar por isso. Mas ele tava lá com todo aquele alto relevo com ar triunfante pra cima da minha pessoa.

Eu na minha total falta de coragem, apelei pra agulhinha da mamãe de novo. Que lindo, né? 26 anos na cara tendo que aguentar bicho-de-pé que não sei nem de onde surgiu, porque não ando mais descalça e a última vez que fui à praia foi há duas semanas. Bicho-de-pé de duas semanas? Aí vamos nós! Então se você tá aí, marmanjo, sofrendo desse mal, anota aí as dicas do que fazer. Vá cortando a pele ao redor do bichinho com uma agulha esterelizada ou, segundo nosso companheiro bruN0, com tesourinha de unha também serve. Mas o negócio é: cortar e puxar! E segura essa dor. Um algodãozinho pra segurar os bichinhos também é essencial, assim como aquele merthiolate no final, que hoje em dia nem arde mais. Mas a minha dica pessoal é passar gelo por um tempo antes de tirar pra adormecer a região, garanto que os cortezinhos iniciais vão ser aliviados.

Aqui está o resultado do meu pobre pé:


Então, se você for uma mãe perdida e moderna ou um marmanjo azarado, espero que o post tenha sido útil. Boa sorte aí.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O (muito) bom e (nem tão) velho mIRC

Só uma observação antes de começar: sei bem que IRC e mIRC são coisas diferentes, mas para efeitos de praticidade usarei apenas o termo mIRC.

Ao ler o título desse post, 70% dos leitores fecharão a página/irão pro próximo post/irão pro post do furúnculo/dormirão ao ler a palavra 'mIRC', 20% devem continuar apenas por curiosidade mas logo largarão, 8% irão até o final por não terem nada melhor pra fazer, 1% são pessoas que já usam mIRC e portanto concordam com o texto, 0,6% são agentes do FBI que não encontrarão nenhuma ameaça à segurança nacional e portanto ignorarão, e 0,4% são pessoas que não usam mIRC, quiçá nunca usaram, mas que talvez criem algum interesse após ler.

Uso o mIRC desde meados de 2002. Estamos em 2010. É, faz tempo. Quando comecei a usar o mIRC a internerd era diferente: a conexão dial-up predominava (banda larga era um sonho distaaaante) com seus milhões de discadores que ofertavam milagres de velocidade, sendo que não mudava nada, navegava-se usando Internet Explorer 5, navegador do AOL (e todos aqueles CDs que se multiplicavam sabe-se lá como!) e Netscape, grandes downloads eram inimagináveis (sem contar que não existiam rapidshits nem torrents), não existiam (ou não eram populares) orkuts, facebooks, youtubes, wikipedias, nada. Era comum ter e-mail do BOL ou Zipmail. Ainda se faziam buscas no Cadê?. E pra se comunicar? Chats do UOL e Terra eram um dos pontos de encontro, e o ICQ predominava nas mensagens instantâneas.

E existia o mIRC. mIRC é o mais famoso cliente de IRC - um protocolo de chat online -, criado em 1995 por um jordaniano (?) chamado Khaled Mardam-Bey. O mIRC é um programa onde você conecta em uma rede e então entra em um ou mais canais e conversa. Pode também conversar somente com uma pessoa, através do PVT (de private).

E naqueles meados de 2002, o mIRC era deveras popular. A rede brasileira mais popular que existiu, a (infelizmente) falecida BrasNET atingiu picos de 60 mil usuários simultâneos por volta de 2003. Era bem mais que os já citados chats UOL e Terra. Pessoas baixavam o mIRC por curiosidade ou indicação, fuçavam os trocentos canais nas redes brasileiras e assim eram felizes. Mas por diversos motivos (como você pode ler no site da BrasNET), o IRC no Brasil minguou e hoje é uma ferramenta cultuada por meia dúzia de nerds espalhados por essas terras, sendo que não existe mais nenhuma rede de grande porte genuinamente brasileira.

Enfim, a era mágica do mIRC no Brasil acabou, dificilmente voltará e hoje é difícil conhecer pessoas do nada por lá. Basicamente alguém baixa o programa porque foi indicado por um amigo, e entra em algum canal específico e por lá fica.

Enfim, um dos motivos dessa decadência foi a popularização do então MSN Messenger, hoje Windows Live Messenger (não que alguém chame por esse nome, veja bem). Venho falar de algo muito batido entre os fãs de mIRC: sua superioridade em relação ao MSN e equivalentes.

"AAAAH MAS NO TAL MIRQUI NÃO ENTRA MEUS MIGUXOS NEM AS GATAS PRA EU XAVECAR VOU PARAR DE LER ISSO AFF". Ok cara, eu sei. Tanto por isso que ninguém usa só o mIRC para se comunicar na internerds - isso certamente acontecia antigamente, mas é inviável hoje. E um dos principais motivos é a diferença entre o mIRC e o MSN: enquanto o primeiro não é um programa user-friendly (mas pode ser, com alguns scripts - já chego lá), o segundo te pega na mão pra atravessar a rua.
Qual usar?

Além disso, hoje em dia o WLM já vem pré-instalado com o Windows e as pessoas já nascem sabendo essas coisas. Já no mIRC você precisa digitar um comando para conectar, um para mudar de nick, outro para entrar num canal... Dependendo do canal que entre você ainda se depara com uma salada de cores na tela e fica meio sem ação.

Então o motivo basicamente é esse: o MSN é todo bonitinho, já se tornou básico e todos sabem mexer - o que não leva muito tempo para aprender - enquanto o mIRC exige certo conhecimento (leva um tempo considerável para decorar "/server irc.server.net" e "/join #canal").

A principal e esmagadora vantagem do mIRC em relação ao MSN ou formas demais de comunicação é que é um chat em grupo. O chat em grupo do MSN é uma desgraça e isso é um fato. Tem que ficar juntando as pessoas, se tiver inatividade as pessoas começam a sair. Você começa a ser incluído em milhões de papos quer não tá afim. Quer um papinho reservado com algumas pessoas? Só chamar todos para um canal à parte. Quer conversar especificamente com uma pessoa? Só clicar duas vezes no nick dela.

Outra vantagem é a transferência de arquivos. Enquanto no MSN você só pode mandar o arquivo e torcer para nenhum problema ocorrer na conexão, no mIRC você faz DCCs (direct client-to-client) que podem ser pausados e continuados, vê a velocidade da transferência, etc. E geralmente em velocidade maior. (ok, apesar que hoje em dia, dependendo da configuração da conexão - routers, hubs, etc - muitos têm problemas para enviar arquivos). Sem falar nos fileservers em canais espalhados pelo mundo - principalmente de animes e otakuzices em geral - que são muito mais decentes que downloads por http ou torrent.

Você certamente conhece o MSN Plus. Várias novidades, como cores, comandos pra fazer coisas, negrito e itálico. Muitas dessas coisas não passam de um plugin de mIRC (e nesse caso me refiro mesmo ao mIRC) para o MSN: os códigos de cores (ctrl+k 0~15) e negrito são ripados direto do mIRC. (se você colar uma mensagem colorida do mIRC no MSN Plus, ela aparece idêntica) Usar comandos iniciados com / para fazer frases prontas e outras coisas? Nada mais estilo mIRC possível...

Um dos maiores features do mIRC é que ele possui sua própria linguagem de programação. Isso permite inúmeras possibilidades. Talvez justamente desse fato de o mIRC ser algo mais próximo do baixo nível em termos de programação que assusta os usuários iniciantes e que aproxima tanto as pessoas de programas bonitinhos com o WLM.

Dia comum no mIRC.

E com essa linguagem são produzidos programas que recebem até outro nome - são os chamados scripts. Existiram vários na história do mIRC brasileiro, mas hoje não creio que exista algum ainda em desenvolvimento. Mas era divertido o tempo onde havia até rivalidades e discussões entre usuários de CyberScript, Scoop, Full Throttle, Cebolinha, etc... Enfim, esses programas já não são tão difíceis para os iniciantes de usar como o mIRC puro (o sem frescurites, que você baixa em mirc.com), e é o recomendado pra quem quer se iniciar. Porém atualmente também existem vários webircs, que te permitem entrar em canais direto do site. O mais famoso é o Mibbit. Para a nossa (#schizo) rede, é possível entrar direto do site oficial. Para quem usa o Firefox, o plugin ChatZilla é um cliente bem simpático.

Não existe nenhuma mega corporação por trás do mIRC. Não tem Google ou Microsoft. São apenas pessoas comuns, dispostas a um único fim: conversar. E olha que é estranho eu falar disso, pois não sou um exemplo de conversador. Mas posso garantir que lá já passei alguns dos momentos mais engraçados, reflexivos, felizes e estranhos da minha simples existência.

Então, que tal dar uma chance para esse programa old but gold? Comece por /server irc.irchighway.net e /join #schizo :)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Fimose, circuncisão e problemas do gênero

Por bruN0


Se você é do sexo feminino, existe uma possibilidade de você ter comentado no post dos furúnculos, mas agora essa mensagem vai a todos do sexo masculino. Ou até mesmo a namoradas que já viram seus companheiros com esse tenso problema na hora das relações sexuais. Fimose.



Primeiramente, o que é fimose?

Olha, primeiro você tem que conhecer melhor o instrumento de trabalho que você utiliza diariamente. Se por algum motivo você teve dificuldades em expor a cabeça (ou melhor, em termos técnicos, a glande) para o mundo exterior sem um gemido de dor brutal, você possivelmente tem fimose. Existem vários graus que eu prefiro não ilustrar de maneira tão violenta aqui nesse post, mas nada que o Google não ajude. O grau I você não consegue ver NADA além da bitoquinha do seu pinto fimosado. O grau II parece que vai, mas não vai. O grau III é o mais chato, porque você consegue ver tudo, mas estrangula tanto a glande que você broxa de tanta dor.



Existem vários momentos de descobrir que você tem fimose, aqui vai alguns dos mais comuns:

• Você é curioso e resolveu tentar forçar abrir a entrada. Com certeza foi uma tentativa frustrada.

• Você descobriu numa aula de biologia que aquela entrada ERA SIM pra ter uma abertura mais livre e sem dores.

• Você viu um filme pornô (ei, não sejamos hipócritas!) e percebeu que a benga do Kid Bengala além de enorme era bem diferente do seu. Tem algo MESMO errado aí.

• E a pior de todas: você está no bem bom com sua namorada, quase lá. E quando percebe que precisa colocar a camisinha, vem o desespero, a dor, tudo junto... não dá. Simplesmente impossível.

E então você se revolta e diz "AAAHHH PRECISO CORRIGIR ISSO PQPQP POR QUE SOU TÃO AZARADO?!?!". A fimose pode ser de origem genética ou como resultado de "exercício mal-sucedidos" quando você tinha somente alguns meses de vida. Logo, se você tem fimose até hoje e não tratou, CULPE SUA MÃE. Ela com certeza sabe que você tem fimose e fez nada pra ajudar. :(

Prosseguindo com os pontos...

Ok, tenho fimose, comofas? É tratamento na faca ou no remédio?

Cada caso é um caso, meu jovem. No geral, o tratamento mais adequado se dá através da cirurgia (foto no início do post) chamada geralmente de circuncisão (o nome técnico é postectomia), mas CONSULTE UM UROLOGISTA. Ele é a pessoa mais adequada para julgar se você precisa tomar altos esteróides ou passar pela famigerada faca. Sinceramente, pelos efeitos e pelo resultado final, a cirurgia é a solução mais viável. Mas isso ao meu ver.

Agora vou dar meu sincero testemunho de quem teve fimose até janeiro desse ano e faz esse último post do ano (o meu, Marcelo deve soltar outro em breve). Não citarei nomes, mas eu já sabia que tinha fimose há vários anos. Mas depois de um incidente nada amistoso envolvendo uma camisinha, um quarto de motel e muita frustração com dor, descobri que aquele era o momento. Então lembrarei alguns dos piores momentos quando um jovem descobre que tem fimose tem antes de fazer a famigerada cirurgia.

A vergonha: Sim, falar para o pai ou a mãe que você tem fimose e precisa da cirurgia é essencial e óbvio. Mas não deixa de ser ridículo: eles são os teus pais, ELES SABEM QUE VOCÊ TEM FIMOSE, ANIMAL. Então abra o berreiro e diga que você precisa pro quanto antes.

O medo: Encarar um urologista mexendo no seu dito cujo e dizendo "é, só com cirurgia, volta na semana que vem" é bastante tenso. A cirurgia é bastante simples, mas basta refletir que é sua saúde que clama por isso. E sua namorada/ficante/rapariga também agradeceria.

E então vem a cirurgia, a anestesia (a segunda pior parte de todo o processo, são 4 agulhadas LÁ EM CIMA e a dor é impossível de medir em palavras) e... o famigerado pós-operatório. O urologista falou em um mês sem qualquer tipo de relação. E ele estava certo. Os três primeiros dias são os piores, muito sangue, muita dor, qualquer tipo de ereção dá um desespero enorme. Mas então é só tirar o curativo, esperar um tempo e... voilà, seu instrumento melhor que nunca! Então, FAÇAM A CIRURGIA, FIMOSENTOS. É essencial perder essa vergonha e encarar a realidade que você precisará fazer isso cedo ou tarde. E quanto antes, melhor.

Então, quem ler esse post, sinta-se à vontade para comentar seus causos antes, durante e depois desse problemas que aflinge tantos homens e ao mesmo tempo é motivo de vergonha para tantos homens. E das mulheres que já conviveram com homens com esse problema, claro. FALEM, FALEM, FALEM! </bottini>
Fonte: Wikipédia, Google e experiências pessoais.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um pouco de nostalgia e um bocado de reflexão

por Apoka.


Hoje, no Fórum UOL Jogos, li um tópico muito interessante. O autor dele não sabe a autoria do texto, e, com uma breve e rasa pesquisa, também não descobri quem o escreveu. Fica a dúvida: Veríssimo ou Quintana? Bem, retrata a nostalgia sobre a infância das crianças nas últimas décadas do século XX (provavelmente até a década de 70 ou 80). Antes de comentar sobre o texto, deixarei-o aí, com algumas alterações quanto à sua estrutura, para que você já possa refletir um pouco.


"(...) É dificil acreditar que estejamos vivos até hoje!


Quando éramos pequenos, viajávamos de carro, sem cintos de segurança, sem ABS e sem airbag! Os vidros de remédio ou as garrafas de refrigerantes não tinham nenhum tipo de tampinha especial nem data de validade...


E tinha também aquelas bolinhas de gude... As que vinham embaladas sem instrução de uso. A gente bebia água da chuva, da torneira e nem conhecia água engarrafada! Que horror!


A gente andava de bicicleta sem usar nenhum tipo de proteção e passávamos nossas tardes construindo nossas pipas ou nossos carrinhos de rolimã... A gente se jogava nas ladeiras e esquecia que não tinha freios, até que déssemos de cara com a calçada ou com uma árvore...  E, depois de muitos acidentes de percurso, aprendíamos a resolver o problema... SOZINHOS!


Nas férias, saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo; nossos pais às vezes não sabiam exatamente onde estávamos, mas sabiam que não estávamos em perigo.


Não existiam os celulares! Incrível! A gente procurava encrenca. Quantos machucados, ossos quebrados e dentes moles dos tombos! Ninguém denunciava ninguém... Eram só "acidentes" de moleques: na verdade,
nunca encontrávamos um culpado.


Você lembra destes incidentes: janelas quebradas, jardins destruídos, as bolas que caíam no terreno do vizinho? Existiam as brigas e, às vezes, muitos pontos roxos...  E mesmo que nos machucássemos e tantas vezes chorássemos, passava rápido; na maioria das vezes, nem mesmo nossos pais vinham a descobrir...


A gente comia muito doce, pão com muita manteiga... Mas ninguém era obeso... No máximo, um gordinho saudável... Nem se falava em colesterol... A gente dividia uma garrafa de suco, refrigerante ou até uma cerveja escondida, em três ou quatro moleques, e ninguém morreu por causa de vermes!


Não existia o Playstation, nem o Nintendo... Não tinha TV a cabo, nem videocassete, nem computador, nem Internet... Tínhamos, simplesmente, amigos! A gente andava de bicicleta ou a pé.  Íamos à casa dos amigos, tocávamos a campainha, entrávamos e conversávamos...


Sozinhos, num mundo frio e cruel... sem nenhum controle! Como sobrevivemos?


Inventávamos jogos com pedras, feijões ou cartas... Brincávamos com pequenos monstros: lesmas, caramujos e outros animaizinhos, mesmo se nossos pais nos dissessem para não fazer isso! Os nossos estômagos nunca se encheram de bichos estranhos! No máximo, tomamos algum tipo de xarope contra vermes e outros monstros destruidores... aquele cara com um peixe nas costas... (um tal de óleo de rícino).


Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros, e tiveram que refazer a segunda série... Que horror! Não se mudava as notas e ninguém passava de ano, mesmo não passando. As professoras eram insuportáveis! Não davam moleza... Os maiores problemas na escola eram: chegar trasado, mastigar chicletes na classe ou mandar bilhetinhos falando mal da professora, correr demais no recreio ou matar aula só pra ficar jogando bola no campinho...


As nossas iniciativas eram "nossas", mas as consequências também! Ninguém se escondia atrás do outro...


Os nossos pais eram sempre do lado da lei quando transgredíamos a regras! Se nos comportávamos mal, nossos pais nos colocavam de castigo e, incrivelmente, nenhum deles foi preso por isso!


Sabíamos que quando os pais diziam "não", era "N-Ã-O". A gente ganhava brinquedos no Natal ou no aniversário, não todas as vezes que ia ao supermercado... Nossos pais nos davam presentes por amor, nunca por culpa... Por incrível que pareça, nossas vidas não se arruinaram porque não ganhamos tudo o que gostaríamos, que queríamos...


Essa geração produziu muitos inventores, artistas, amantes do risco e ótimos "solucionadores" de problemas... Nos últimos 50 anos, houve uma desmedida explosão de inovações, tendências... Tínhamos liberdade, sucessos, algumas vezes problemas e desilusões, mas tínhamos muita responsabilidade... E não é que aprendemos a resolver tudo? E sozinhos... (...)"


Pois é. Isso me fez refletir um pouco sobre como foi saudável a minha infância, mesmo bastante diferente da retratada no texto. Aliás, relatando deveras superficialmente esse período da minha vida, não tive toda a liberdade do mundo, aliás, quase o contrário: tive muita superproteção; por exemplo, não poder andar de bicicleta porque o "brinquedo" era caro na época e eu poderia me machucar, ou não poder brincar na rua porque eu poderia pegar alguma virose ou infecção ou me sujar demais.


Enfim, parece saudosismo, mas não minto que vejo a infância das crianças de atualmente algo extremamente negativo (com exceção da enorme gama de informações disponíveis e acessíveis). Devido à falta de tempo e de amor dos pais para com os filhos, criou-se muita negligência e falta de responsabilidade na criação deles. O incentivo à criatividade e imaginação e uma relação afetiva regada ao ensino de tantos valores foi trocada por algo completamente superficial e envernizado. Os carrinhos foram trocados por celulares, uma comunicação muito mais próxima e socialmente saudável foi trocada pelas janelas de chat e IM (daí fica a minha hipocrisia, afinal, este blog é formado justamente por vários amigos que se reunem diariamente em um canal de IRC), os almoços e jantares em família foram trocados pelo jornal local e pelo Jornal Nacional, e as velhas brincadeiras foram trocadas pelos jogos eletrônicos.


Isso tudo, sim, é um horror. Apesar de hoje estar dissolvido nessa dura realidade, pergunto-me: aonde foi aquele nosso lado humano, que parece ter morrido na virada do milênio; se as crianças de amanhã abrirão os olhos e perceberão o verdadeiro significado de vivenciar uma infância, de ter uma família e de aprender a conviver em sociedade. É... os tempos são difíceis, e não é só para quem passa fome ou não tem onde dormir. O amanhã é um grande mistério.

domingo, 1 de novembro de 2009

Abrem as inscrições do IFPR... seria mesmo IFPR?

Entre 2005 e 2007 estudei na Escola Técnica da UFPR, um então setor da Universidade Federal do Paraná, com cursos técnicos e Ensino Médio, o qual cursei. A partir de 2007 começou um papo de transformação da Escola em IFET-PR, ou Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná. Não vou entrar na discussão de ser a favor ou não dessa transformação, primeiro porque não lembro muita coisa dos argumentos a favor e contra (só sei que eu, particularmente, era contra), e segundo porque a transformação já ocorreu. Hoje a ET-UFPR é oficialmente o IFPR - Instituto Federal do Paraná. Apesar que pelo menos na última vez que eu passei lá na frente tinha os dois nomes em destaque. Enfim, como a ET não abriu Processo Seletivo esse ano, considerarei então como falecida.

Eu já sabia que o IFPR existia há algum tempo, mas não tinha ouvido falar de Processo Seletivo pros seus eventuais cursos. Até que hoje encontrei a notícia sobre a abertura das inscrições do tal Instituto e resolvi verificar o Guia do Candidato. Curto essas paradas acadêmicas e tal.

Em poucos segundos batendo o olho pelo documento senti um certo déjà vu. Aquele formato não me era estranho.

Não vou falar muita coisa, só mostrar umas imagens que resumem. A imagem da esquerda é o Guia do Candidato do IFPR e na direita é o Guia do Candidato 2009/2010 da UFPR, mas de qualquer ano valeria. Clique nas imagens para ampliar.


 Há mais coisas que eu poderia colar aqui, mas acho que já ficou bem evidente. O edital do IFPR É UMA EDIÇÃO DO EDITAL DA UFPR.

Eu sei que pra muitos isso não deve ser grande coisa. Talvez não seja algo que interfira na qualidade do IFPR. Pode ser apenas o trabalho de algum estagiário preguiçoso. Mesmo assim, isso faz com que a pouca reputação que o Instituto teria comigo suma de vez. Desde os preâmbulos da sua fundação, - que foi um tanto forçada politicamente, diga-se de passagem - , até ver o projeto mudar de nome no meio - eu tinha lido o decreto já aprovado que fundava o local, como IFET - e até chegar ao logo feio e sem criatividade, nunca botei muita fé.

Você provavelmente já viu alguma propaganda recente do governo federal dizendo que "estamos ampliando o ensino técnico no país ohhhhh construindo milhões de escolas, louvem", e assim que são as tais escolas. Aqui, pelo menos, não construiram nada, só pegaram uma escola que já tinha tradição e uma base sólida de professores e mudaram seu nome, roubaram seus professores e transformaram o Diretor em Reitor, gastando mais dinheiro em salários e afins. Agora um INSTITUTO tem REITOR. Ok. Em vários locais do país estão transformando os CEFETs em Institutos Federais, apenas mudando o nome/logo e colocando uns cursos a mais. Mas na conta do governo é como se fosse tudo novo.

Não serei tão injusto. Estão construindo um prédio aqui onde era a ET-UFPR. Mas isso começou quando eu estudava lá normalmente ainda e nem se falava de IFET/IFPR, e pelo que eu vi nos últimos meses, acho difícil esse prédio ficar pronto até o começo do ano que vem, deixando na dúvida onde vão ficar os contemplados por uma das 845 vagas oferecidas pelo instituto em Curitiba.

Voltando ao edital, não colarei mais semelhanças com o edital da UFPR, deixando isso ao cargo de quem estiver interessado checar. Acredite, vai achar bastante coisa. Porém mais a frente, encontro uma página com algo que realmente superou as semelhanças até aqui mostradas.

Contemple:

Sim, isso está no edital do promissor IFPR. Pra quem não conhece, UTFPR é a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, o antigo CEFET-PR, lugar onde por acaso eu estudo. E por lá estudar eu naturalmente me inscrevi no vestibular, e me reparei com esse mesmo questionário. Que agora eu encontro aí, reproduzido fielmente, no edital do novo instituto. Não mudaram nem o nome da instituição. Copiaram até o fundo cinza do site de inscrições da UTFPR. Eu não tenho como mostrar essa página na própria página da UTFPR pois ela naturalmente só era exibida na época de inscrições, o que não ocorre mais, pois a UTFPR aderiu ao ENEM. Mas é possível ver um exemplo do layout cinza aqui. Não que isso seja necessário, pois o pessoal do IFPR não se deu nem ao trabalho de mudar o nome.

Enfim, só quis mostrar isso que observei  e para mim é muito descaso pra ficar escondido. Você pode acessar o edital do IFPR aqui e o da UFPR aqui. Não pretendo fazer curso técnico algum e, se for pisar no tal do IFPR, só por nostalgia pelos tempos de ET-UFPR. Mas, por aqueles que lá pretendem estudar, espero que a qualidade do ensino seja bem diferente do que se pode ver nesse documento.

Ponto positivo para o instituto (se isso for funcionar): abrirão um curso de Ensino Médio integrado com Programação de Jogos Digitais, o que deu muita vontade de ter 14 anos para cursar.

Bônus:
Eles devem ter achado que a palavra EDITAL vem de EDITAR e, portanto, deviam editar algum. Rá!

domingo, 6 de setembro de 2009

Quem tem medo dos cartãozeiros?

Por bruN0.

OMG CARTÃOZEIROS E SÃO JORGE!
"OMG CARTÃOZEIROS E SANTO EXPEDITO!"


Esse panfleto que vocês veem é provavelmente o mais bizarro que já recebi. E vocês vão concordar comigo depois que o lerem, não sem antes eu fazer uma breve introdução.

Lá estava esse que vos fala no terminal de ônibus do Antônio Bezerra em Fortaleza, esperando o bendito Campus do Pici/Jovita Feitosa num sol potencialmente infernal das 10:30. Enquanto esperava tranquilamente na fila, eis que um senhor de idade avançada e rosto abatido começa a entregar panfletos para as pessoas da parada. Mal poderia imaginar o quão sortudo seria ao estar exatamente naquele local/hora. O panfleto é bem tosco, você nota pela textura. Papel meio amassado e sujo, parecia cartolina velha. Quando vi a gigante imagem de Santo Expedito, imaginei que fosse mais um pregador pedindo para aceitar Jesus no meu coraçãozinho pecador. Mas o texto me reservava uma surpresa...

Notei que quem recebia o panfleto, começava a ler e ficava com uma notável cara de interrogação. Então resolvi começar a ler. Eis aqui o texto na íntegra, com alguns comentários intercalando e certos grifos.

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"Os cartãozeiros estão fazendo desordem e estuprando as mulheres e crianças, e ainda estão ameaçando as pessoas e assaltando postos de gasolina e os sítios, se passando por policiais eles são Duzentão. Os cartãozeiros não tem mais o que fazer, estão mandando as mulheres se empregar nas casas, para observar a conta bancária e a renda familiar, para passar informações para os cartãozeiros."

Wait... WHAT?! CARTÃOZEIROS? O que raios seria isso? Cangaceiros modernos? E por que DUZENTÃO? E nossa, se eles não tem mais o que fazer, diria que isso é o tédio levado às última consequências. Detalhe que num parágrafo ele consegue citar CARTÃOZEIROS 3 vezes. A capacidade pleonástica desse texto é inacreditável, como veremos a seguir.

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"Quem é o chefe dos cartãozeiros é o Nilo, genro do Zé Português, pois o Zé Português é o líder da quadrilha, a filha do Zé Português, Ana, que é a mulher do Nilo, ela é quem anda aqui em Fortaleza colocando os "Chupa-Cabra" para os cartãozeiros dar o golpe. Todos os cartãozeiros de todos os bairros de Fortaleza estão fazendo desordem e estuprando as mulheres e crianças, eles vivem dizendo que é trote. O Nilo e o Zé Português se passando por policiais e advogados."

Opa, a história começa a ficar boa. Subentende-se que esse Nilo deve ser o capeta e o Zé Português deva ser um capeta semelhante, só que burro... e mais interrogações. Chupa-cabra? E fiquem de olho em "estuprando mulheres e crianças", isso ainda vai se repetir...

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"Os bairros de Fortaleza que tem mais cartãozeiros são: Genibaú, Antônio Bezerra, Conj. Ceará, Henrique Jorge, Caucaia, Barro Preto e Aquiraz. Todos os municípios de Aquiraz e até Caponga estão cheios de cartãozeiros."

Eu poderia deixar essa parte passar batido, mas quem conhece o Ceará sabe que tem dois pequenos detalhes curiosos nesse parágrafo. Primeiro: Caucaia é uma cidade. E a maior da região metropolitana, tirando a própria capital. Segundo: como assim todos os municípios de Aquiraz? E por acaso isso virou estado da federação? Vai entender. Prosseguindo...

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"Nós, da comunidade do Barro Preto, pedimos que toda a população que pegar este panfleto ajude a passar estas informações para que as pessoas repassem para os órgãos competentes, porque você pode ser uma das vítimas deles, pode ser até um vizinho seu. Ajude-nos a a denunciar esses bandidos para a Polícia e a Imprensa, pois Nilo, que é o chefe deles, vive aqui dentro do Barro Preto escondido."

Ok, o cara que mora no Barro Preto é quase uma piada pronta. Dizer que mora na merda é até constrangedor. E a teoria da conspiração de ter um vizinho CARTÃOZEIRO é genial. E claro, Nilo é o Osama Bin Laden cearense...

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"Todos os cartãozeiros estão se passando por policiais. As mulheres dos cartãozeiros estão se empregando para obter a senha dos aposentados e a renda da família."

Sim, o texto tem um parágrafo só pra dizer isso. Todos os cartãozeiros são policiais? Então por que Nilo se esconde? E esses aposentados safadões, contratam as mulheres deles... admita, é uma boa isca.

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"Os cartãozeiros, eles entram nas residências, sítios, casas de praia e rendem todos que estão na residência. Eles são muito violentos, levam arma em punho, estupram e abusam sexualmente das mulheres e crianças, só que é no período da madrugada."

Excelente pontuação. E de volta a falar de estupros... mas agora temos algo novo! É de madrugada! Claro, como poderia esquecer isso...

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"As pessoas que são violentadas tem que procurar as autoridades competentes, mas quando as pessoas chegam na delegacia, o delegado exige levem uma testemunha, só que as pessoas não tem como provar nada, porque o delito geralmente acontece na madrugada. Os vizinhos não vão sair das suas casas para testemunhar, porque eles não viram nada porque é de madrugada. E aí fica tudo impune, eles fazem do jeito que querem, estupram e levam todos os pertences da pessoa."

Primeiro: se é assim, POR QUE PROCURAR? Claro, é o método infalível! Faça tudo de errado na madrugada, ninguém vai estar vendo mesmo! É o crime perfeito, admita. E o autor desconhecido novamente falando de estupros. Ele tem uma fixação meio estranha nisso... Ah, e voltando a indagação inicial, QUEM SÃO OS CARTÃOZEIROS?

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"Os cidadãos não vão sair das suas residências dizendo que viram a sua esposa ou filha sendo violentadas porque eles se sente humilhados e preferem ficar em silêncio para preservar a sua imagem perante a sociedade. As autoridades tomam conhecimento mas não fazem nada."

E como raios eles tomam conhecimento e fazem nada? A teoria da conspiração toma mais formas...

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"Dentro de uma casa foi preso um cartãozeiro de nome Cícero no Parque Santa Rosa, ele está no 3º distrito, ele estava se passando por policial civil, estava TURTURANDO uma mulher e estorquindo a mulher para lhe dar dinheiro, outro cartãozeiro do Bom Jardim foi preso, ele e seu comparsa, o nome da mulher é Fátima, e seu comparsa, o nome dele é Paulo, no Bairro Maraponga."

Opa, historinhas! Nada como uma turtura gramatical para alegrar nossa análise. Claro, o autor deve ter um transtorno obsessivo-compulsivo por vírgulas e supressão de conectivos. Não é uma parte muito interessante, mas nota-se a periculosidade e o quanto os cartãozeiros podem ser ecléticos e são bem articulados. Grande Maraponga...

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"Quatro homens sequestraram duas moças e a APAUPARAM e depois abandonaram num terreno baldio. Esses bandidos estão agindo no interior de Canindé, Santa Quitéria, Baturité, eles estão humilhando os CIODADÃOS, se REQUEBRAR e abusar das mulheres."

Belo combo! Cartãozeiros apaupadores de mulheres ciodadãs indefesas. Agora... requebrar? Isso é tão bizarro que não dá nem pra inventar uma zoação decente.

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"Nas estradas eles estão usando o CINTO DO DRAGÃO para furar os pneus dos carros e fazer os assaltos, eles fazem as SAIDINHAS BANCÁRIAS."

Sim, eu sei o que são "saidinhas bancárias". Mas o termo é genial, diz aí. Agora... cinto do dragão? Por acaso os cartãozeiros tem algo a ver com o Shiryu? E usar um cinto para furar pneus? Haja LSD...

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"Graças a população que está denunciando, inclusive a imprensa, está noticiando. Eles são conhecidos por Duzentão. Eles estupraram uma moça na Praça da Uberlândia e onde eles sabem que tem um aposentado que more só eles torturam e ficam com a senha."

Eles estupram (pela 7623ª vez só nesse texto) moças indefesas e abusam de aposentados. Torturam aposentados e mulheres e...

E aqui a resposta que tanto buscávamos. Os cartãozeiros são... Duzentão, ora. Você não sabe o que é isso? Bem, aí é coisa para outra análise de texto enorme e inútil como essa.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Furúnculos y otras cositas más

Por bruN0.



Sei que o título é infame o suficiente para você não ler o restante do texto, mas acredite... é por um motivo de saúde pessoal! E sua própria segurança, posso te garantir.

Desde quando eu era um pivete remelento (hoje só não sou mais pivete), eu sofro de um mal que muitos dos leitores já devem ter passado dias ou quiçá semanas. FURÚNCULOS. Eu particularmente chamo de "tumores" por causa da minha querida mãezinha, que provavelmente não gosta muito dessa palavra que tem uma sílaba tão infame e lembre algo tão orriveu. Mas enfim... conheça um furúnculo!

furúnculo!

Achou um nojinho, cheio de sangue e pus? Já conhecia? Ok, não parece ser muito convidativo... mas imagina vários deles pelo corpo! Sim, o nome que se dá a esse processo é a furunculose, que é quando a bactéria causadora (geralmente a maldita Staphylococcus aureus) cai no sistema sanguíneo e resolve brincar de SimCity na sua superfície corporal. Antes que você corra pra Wikipedia e economize tempo lendo informações úteis a respeito, vamos a parte interessante do texto.

Pelo que vocês viram, um furúnculo é o suficiente para causa dores de cabeça o suficiente por um tempo. E claro... DÓI PRA CARALHO! Agora imagine isso num lugar bastante desconfortável. Sim leitor, esse que vos escreve está atualmente com um furúnculo na nádega direita! Ao ponto de qualquer movimento (sentar-se, levantar-se, deitar-se...) que exija um contato mais direto com a área nadegal seja feita com uma dor digna de querer se jogar num metrô em movimento (desculpa Narugami, mas não poderia perder a chance).

E se você já teve furúnculos, leitor, a chance de que um deles tenha sido no seu higiênico traseiro é bem razoável. Além da alta transpiração e de provavelmente ser uma região bem pelúcida, se você vive num buraco quente como Fortaleza, a temperatura da região glútea enquanto você está sentado nerdando pela Internerd é digna de Guiné-Bissau em plena 13:00.

Mas tudo isso tem cura! Na verdade, os nossos amiguinhos furúnculos aparecem e se vão como o vento. Na maior parte dos casos, a cura aparece naturalmente e a vítima dessa praga não precisa fazer muita coisa a não ser gemer de dor nos próximos dias. Pomadas são úteis (como a famosa Furacin) e antibióticos mais ainda (mas devidamente indicados por profissionais hein?), mas o melhor a se fazer é ter paciência, esperar o troço literalmente explodir e fazer uma festa de nojinho drenando o local. Que beleza!

Mas se você é tr00 black metaller from hell, você tem outra alternativa... os instrumentos são uma faca de cozinha, um fósforo aceso e MUITA coragem. Aliás, coragem não... loucura mesmo! O resto é por sua própria conta em risco, sabichão.

E você leitor que me pergunta porque raios resolvi escrever sobre assunto tão esdrúxulo... bem, se um dia você tiver algo explodindo na sua pele e não souber o que fazer, pelo menos você saberá que não é o único e que ter um furúnculo no rabo é SEMPRE pior.

Link útil!

Queridos suicidas,

Suicidas, não qualquer um, mas aqueles que pretendem se jogar ou os felizardos que já se jogaram na linha do metrô ou na linha de trem, ganham uma posição no topo de uma lista de raças desgraçadas que vivem na mesma sociedade que as pessoas normais, onde suas funções são a de atrapalhar a vida do coletivo, para exemplificar, os motoboys.

Já considero suicida uma desgraça por si só, não são capazes de manter um mínimo de decência na vida e acabam virando emos depressivos e assumem a função de reclamar que a vida é uma bosta, que nada vai mudar e que ninguém os ama. Nem pensam em tentar mudar a vida pra algo melhor, somente se lamentam cada vez mais até um ponto onde simplesmente desistem dessa vida sofrida (somente pra eles, pro resto da sociedade é um mar de rosas). Entendo que existam diversos motivos para uma pessoa chegar ao nível de querer se suicidar, a vida amorosa está uma droga, uso exagerado de drogas, a sociedade exigindo muito da pessoa, insanidade, emisses em geral, medicamentos tarja preta e qualquer outro motivo bizarro que possa levar um ser a tirar a própria vida. Já observei de perto o drama de uma família onde uma pessoa querida e importante se suicidou, por causa de remédios, não é fácil para a família nem para amigos.

Existe diversas formas de cometer suicídio, cordas, venenos, pular de prédios, se jogar na frente de carros em alta velocidade, dar uma facada na barriga, muitas formas, mas somente uma é condenável, quando a pessoa se joga na linha do metrô. Não basta a pessoa desejar tirar a própria vida, como também atrapalha a cidade inteira, o metrô ou o trem é utilizado por milhões de pessoas e cada trecho da linha precisa estar em perfeitas condições para que nada pare a linha e a cidade.  Uma falha ou outra na linha acontece, já que é algo complicado de manter em perfeito funcionamento 24/7, mas são todas “fáceis” de resolver e nem por isso a cidade inteira para.

Quando um lesado suicida se joga na linha, a estação inteira fica caótica, todo mundo correndo tentando fugir de alguma coisa, como se fossem culpados pela morte do infeliz, que está espalhado por boa parte da linha. É uma correria desgraçada e os sortudos que estão presentes na hora do ato, com certeza não ficam felizes com a cena e é bem capaz que alguns se traumatizem com a imagem de uma pessoa comum entrando na frente do metrô ou do trem, assim tão perto delas. Caótico, e isso só no primeiro momento, a linha inteira fica parada para os funcionários poderem retirar restos e limpar algumas manchas vermelhas, quem já estava dentro de um vagão, com pressa pra chegar a algum lugar, é obrigado a ficar parado por minutos e se bobear horas, por experiência própria sei o quanto é ruim ficar parado na mesma estação por uma hora, alguns podem dar a sorte e ficarem no vagão de algum metrô que está parado no túnel. Esse tipo de transporte público é usado por todos, desde crianças a senhores de idades, imagine uma criança pequena e as chances da cena traumatizar o pobre coitado, levando em conta que algumas crianças achariam a coisa mais legal do mundo uma pessoa ter entrado na frente do metrô ou do trem e sumido!

Tento imaginar o que se passa pela cabeça dos suicidas, talvez “vou morrer mesmo então vou atrapalhar a vida de milhões de pessoas!”, existem tantas maneiras de se suicidar e mais “seguras”, como as que eu citei no terceiro parágrafo, o que leva uma pessoa a saltar na linha? Claro, é rápido e fácil, mas sempre vai ter alguém que vai tentar segurar e existem guardas que vão fazer questão de botar o cara pra fora da estação depois, existe também a possibilidade de se usar uma corda, o que é mais demorado, só que se a pessoa consegue achar um lugar calmo, é morte na certa, agora se intenção é chamar a atenção, basta se jogar de um prédio, isso sempre aparece na TV e vale lembrar que nunca vi na TV matérias sobre pessoas que se jogaram da linha, somente uma vez eu vi uma tentativa que foi frustrada, ou seja, o infeliz não conseguiu nem se matar.

Não vou me aprofundar muito nisso, mas fica aqui minha recomendação, se você que está lendo esse texto estiver pensando em se suicidar, faça isso, do fundo do meu coração, faça isso. Mas tente ficar longe das linhas do metrô ou das linhas do trem ou de outros lugares onde a sua morte vai causar atraso para as outras pessoas, existem tantas formas, tente todas se possível até achar a que mais se adequada a você.

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Ah sim, esse é meu primeiro post aqui, fica o oi.

Narugami.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Alien Nation

Até que ponto vai a alienação dos brasileiros? Roupas de acordo com as tendências da moda, gostos musicais definidos pelos convidados do programa do Faustão, manipulação de informações, falta de personalidade - a ponto de tentarem imitar personagens de novelas, séries, filmes, etc. - ignorância política, e muitos outros fatores que fazem o Brasil parecer ter regredido à Idade das Trevas.

A tal "Era da Informação" faz os cidadãos aparentarem ter mais conhecimento, mas é fácil perceber como essa realidade é superficial. Será mesmo que os telejornais são totalmente imparciais? O que tantas pessoas de classe média e baixa viram na televisão e comentam com vizinhos e amigos é verdade? Será que não houve sensacionalismo ou manipulação sobre a notícia do seqüestro daquele empresário, ou da morte do jovem nas mãos de policiais?

Não que o problema seja o cidadão não saber que é massa de manobra, ele sabe disso. Bom, pelo menos acha que sabe. É a conseqüência de tanta informação disponível, faz com que esse tipo de pessoa ache que sabe o que pensa, quem é, por que faz tais escolhas no dia-a-dia e por aí vai. Satisfação por viver uma ilusão, oh, doce ilusão. E aí vem um problemão: o conceito de conhecimento, que mudou ao longo desses anos... Onde o mais sabido é aquele que "sabe" como foi a morte da Isabella, aquele que "sabe" qual foi o xingamento do ator global ao repórter do SBT, aquele que "sabe" qual era a marca do guardanapo usado pelo presidente da República no almoço em família no último domingo...

Enfim, não é mais aquele que realmente viveu várias experiências ou que tem amplo conhecimento nas ciências exatas ou biológicas que é considerado o sabido, são os iludidos, os alienados, enquanto as pessoas com alguma instrução são os alienígenas, os estranhos. Pois é, parece que os sabidos foram substituídos, junto com o conceito de conhecimento. Parece que os agora estranhos não são mais tão sabidos. E, se, assim como nosso caráter, a cultura, a educação, a sociedade brasileira é fruto de nossas decisões, os sabidos são os principais ignorantes nessa história, por terem deixado isso acontecer. Pior: por terem feito a escolha de um Brasil alienado, mergulhado nas trevas da ignorância.

A diferença entre a Idade das Trevas que estamos vivendo e a Idade Média é, respectivamente, a mesma entre a loira burra e a loira inteligente (a burra acha que sabe, e a inteligente sabe que é burra). O que muda é que não é só a diferença entre as loiras das duas épocas, mas entre os cidadãos.

Enfim, deixem-los viver sua ilusão, afinal, "se for para viver uma fantasia, que essa dure para sempre". Enquanto isso, nós, que protestamos para lerem livros ao invés de perderem tempo no Orkut e no MSN, para ouvirem Mozart e Beethoven ao invés de Racionais MC e MC Créu, para dançar salsa e valsa ao invés de A Dança do Quadrado e rebolation... Enfim, nós, que estamos aí sempre cuidando da vida dos outros, tentando impor nossa personalidade e opiniões sobre a massa, continuaremos a ser os sabidos entre o povão. Bom, pelo menos é o que achamos. Que nossa fantasia dure para sempre.

domingo, 9 de março de 2008

Vocalista da banda Schizophrenie sai após discussão interna

Por bruN0 (Carl Krebs).



ESTOCOLMO, Suécia - Após desentendimentos entre os integrantes, a saída de Casper Svenningsen, vocalista e baixista da banda de rock dinamarquesa Schizophrenie, foi oficializada nesse domingo. Casper fazia parte da formação inicial do conjunto e alegou "um clima chato e falta de utilidade" na banda. Com a saída, o conjunto agora é formada somente por Kim Hansson e Carl Krebs, ambos guitarristas e líderes da banda. O grupo atualmente está no final da turnê pelo single "The Good Lord From The Devil" e é uma das mais renomadas no cenário experimental dinamarquês.


Mudanças na formação e futuro incerto


Após a saída de Casper Svenningsen, vários boatos formaram-se a respeito da futura formação da banda. Apesar do anúncio, o ex-vocalista e baixista do conjunto anunciou que somente irá formalizar sua decisão no dia 23, logo após o último show da turnê em Copenhague. Também existe a possibilidade de Casper integrar-se temporariamente a banda para a gravação de um novo disco até o meio mês que vem, atrasando ainda mais a saída oficial Com a presença de dois instrumentistas de mesma função, Kim Hansson anunciou que assumirá a função de baixista na próxima turnê, anunciada para começar no final de abril. Carl Krebs também anunciou que provavelmente a banda manterá a formação, apesar do desejo do líder do conjunto em convocar outro músico para o grupo.

O anúncio da saída de músicos da Schizophrenie não surpreendeu os fãs, pois há meses Casper trocava farpas publicamente com os outros dois guitarristas. Apesar do mal estar notório no ambiente da banda, a saída do baixista foi amistosa e anunciada em uma entrevista coletiva no estúdio da gravadora RockTarts em Estocolmo. A saída anterior de outros membros, como a baterista brasileira Fabiana Bastos e a vocalista dinamarquesa Amelie Klein, foram mais traumáticas, pois não faziam parte da formação inicial da banda. Casper anunciou também anunciou que pretende seguir carreira solo no blues rock dinamarquês, cogitando manter contato com a Schizophrenie. Não foram revelados detalhes de possíveis divisões de verba entre a banda e possíveis mudanças no repertório.

(e qual é o problema de ter um pouco de roleplay no Popomundo?)

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Tempo e Nostalgia

Por bruN0.



26/09/2007

3ª aula. 9:20. Lauro Jr. explicando calmamente gravitação universal. E senti uma das maiores tristezas que um aluno (ou qualquer pessoa) pode ter.

"Na minha época (que ironia, 1984 como o famoso livro...), minha sala era bastante unida. 54 alunos. Achávamos que nunca iríamos nos separar. Mas nunca mais nos encontramos."

Caiu a ficha. Vez ou outra comentava que sentia medo do abandono. Nunca mais encontrar aqueles velhos amigos, como já perdi na época em que estudava no saudosíssimo Vinícius de Moraes (antigo colégio que estudei até a 3ª série, quando então fui para o Christus, em que estudo até hoje). Como já comentei vez ou outra com a Renna ou com a Jéssica (que no momento da declaração, encarou-me duas vezes e notei a profundidade daquela possibilidade tão dramática. Eu sempre digo para ela que uma das minhas maiores preocupações desse ano para mim é justamente isso). Sempre quis acreditar que nunca iríamos perder o contato de alguns anos. Infelizmente, não consigo imaginar 25 anos sem ver essas pessoas que tanto aprendi a admirar.

Os mais radicais irão dizer que a modernidade evitará esses problemas. Mero engano. Sei onde eles moram, tenho MSN, um contato no Orkut, mas no fim de tudo... isso é absolutamente nada. Uma vida assolada pelo trabalho, pela monotonia. Talvez eu lembre deles alguma hora, como uma vaga lembrança de meu saudosismo doentio. Terei novos, atuais amigos. Mas será que é isso que isso é suficiente para preencher o vácuo que essas pessoas que entraram na nossa vida já ocuparam?

Isso ocorre em qualquer lugar. Na escola, no trabalho, na Internet... veja só o exemplo atual. É natural que um dia eu vá perder contato com todos que postam nesse blog ou entram no canal de mIRC. E é certo que um dia eles farão falta, como todos os outros irão fazer. Talvez numa dessas coisas random de Internet, eu ache eles por aí. Se um dia eu viajar por aí e achar alguns deles. Apoka em Curitiba, Choir em Maceió, Kodaz em Brasília, auren em Sampa... eu nunca gostei de garantir nada, mas fica aquela reflexão: por que nos preocupamos tanto com esse fim que sabemos que chegará?

Eu gostaria de imaginar-me ao lado de amigos que fizeram a minha vida, tomando uma cervejinha no fim de semana, ou achar velhos amigos de mIRC que estarão lá, talvez não no mesmo local, mas sempre se encontrando sempre que possível, falando sobre música, curiosidades da vida, jogos. Soa infantil, mas mais do que isso... soa como esperança. Um dia acaba, tudo acaba. O que sobra é aproveitarmos enquanto podemos. Por isso continuo no mIRC até hoje, aproveito a vida de maneira não-tão-a-sério esse mundo-cão e nunca hesito em dizer para as pessoas que gosto que elas irão fazer falta se um eu nunca mais vê-las. E saber que apesar de daqui a alguns anos eu perderei o contato, mas a saudade e a lembrança ainda estarão frescos na memória.